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Chute o Lula

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Yes, nós somos de esquerda...


Por:

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA, Socióloga.

Em poucas palavras Jean-François Revel, no prefácio da magistral obra de Carlos Rangel, Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário, mostrou a trajetória de séculos da América Latina: “A história da América Latina prolonga a contradição que lhe deu origem. Oscila entre as falsas revoluções e as ditaduras anárquicas, a corrupção e a miséria, a ineficácia e o nacionalismo exacerbado”.
Sem dúvida, essa apropriada análise feita por Revel, em 1976, não se alterou em essência. E é uma realidade da qual o Brasil, com algumas nuanças e diferenças, também faz parte.
Essa história de fracassos e frustrações é confrontada com uma humilhação adicional: o êxito quase indecente para os latino-americanos, dos Estados Unidos. Acrescente-se que a incapacidade para construir Estados democráticos modernos e economias prósperas conduziu a América Latina à tendências revolucionárias, muitas de cunho esquerdista e capitaneadas por lideranças populistas, que trouxeram a seus países mais fracasso e miséria.
Para citar alguns exemplos lembremo-nos da revolução mexicana de 1911, do socialismo peruano de 1969-1974, do justicialismo peronista que arruinou a então próspera Argentina e a mais marcante de todas: a revolução cubana que destruiu a economia da Ilha e a manteve sob o totalitarismo implacável de Fidel Castro. Este, porém, se tornou o símbolo da desforra contra os Estados Unidos e, apesar das atrocidades que cometeu contra os que ousaram contestar seus métodos soviéticos, encarnou o mito do “bom revolucionário”, a figura que encanta o imaginário coletivo latino-americano, ou seja, uma espécie de D. Quixote do comunismo de terceiro-mundo, enquanto o sanguinário e psicopata Che Guevara é até hoje louvado um Cristo laico.
Fidel foi e é a desforra contra o sucesso insuportável dos Estados Unidos. Por isso, yes, orgulhosamente somos todos de esquerda, o que inclui o glorioso governo petista. O maldito império norte-americano só serve para fazermos cursos, turismo, tratamento de saúde, compras. Milhões de brasileiros se evadem para lá viver, trabalhar, ganhar em dólar, esse excremento do diabo. Mas não sabemos o porquê disto já que o Brasil de hoje, sob o governo de Lula da Silva, se converteu num paraíso onde o trabalho é abundante, só existem classes alta e média e a Saúde e a Educação são exemplos magníficos para o mundo.
No momento a grande sensação é a Olimpíada de Pequim. Afinal, a China encarna um império de esquerda. Á bem da verdade a China é capitalista na economia e comunista na política, modelo sonhado para nós pelo ex-revolucionário teórico, ex-ministro, ex-deputado e ainda todo-poderoso das sombras, José Dirceu. Quem sabe chegamos lá no terceiro mandado.
Portanto, não importa se a China viola direitos humanos com sua tradicional crueldade. Também não interessa se a China, com milhares de execuções por ano, é responsável por mais da metade das execuções que ocorrem em todo planeta, se deixa bebês do sexo feminino morrendo nas sarjetas, se tortura crianças desde bem pequenas para que se tornem os atletas perfeitos das Olimpíadas com um falso sorriso afivelado no rosto.
O trajeto da tocha olímpica pelo mundo foi marcado por protestos, especialmente com relação ao Tibete, o que para brasileiros deve ter soado como algo desconhecido ou sem interesse. Será que algum compatriota se perguntou diante da repressão chinesa aos protestos em prol do Tibete, pelo menos porque diabos aquilo estava acontecendo?
Poucos no Brasil devem saber que no Tibete o genocídio perpetrado pelos chineses foi marcado por requintes de atrocidade sinistra e as mortes violentas atingiram uma proporção mais numerosa do que em qualquer outro território do conjunto chinês. Segundo o Dalai-Lama, “os tibetanos não foram apenas fuzilados, foram espancados até a morte, crucificados, queimados vivos, afogados, mutilados, mortos por inanição, estrangulados, enforcados, cozidos em água fervente, enterrados vivos, esquartejados ou decapitados” (O Livro Negro do Comunismo). Também, centenas de milhares de tibetanos tornaram-se prisioneiros em campos de concentração e mais de 170.000 morreram no cativeiro. Além disto, houve o genocídio cultural com a destruição de templos e de seus manuscritos seculares, afrescos, estátuas, relíquias, tudo destroçados pela brutalidade chinesa.
Os protestos havidos durante a passagem da tocha, que no Brasil não veio, tentaram relembrar ao mundo esses horrores e os infelizes tibetanos que ainda vivem subjugados no seu país de neve e de deuses. Isto, porém, não nos interessa porque, yes, nós somos de esquerda. Sem medo de ser felizes fomos à Pequim e reeditamos nos jogos nossos fracassos e frustrações históricos expressos nos pífios resultados obtidos.

domingo, 6 de abril de 2008

Relações "diplomáticas" com a esquerda...


Por Klauck Soares

Primeiro: nunca entregue o jogo no primeiro tempo. O esquerdista sempre vai falar: “Tá bom, Stalin era de esquerda e era horroroso, mas Hitler era de direita.” Era de direita uma pinóia! Eu sei que vai ser demorado explicar pro esquerdista que isso não é verdade, mas não entregue os pontos de cara. Se a discussão tiver que começar com o básico, que comece.
Segundo: Nunca comece na defensiva. A não ser que você tenha feito parte do governo do PT, tenha roubado mais que em qualquer período da história republicana brasileira, esteja envolvido com acusações de assassinato, lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dólares, financiamento ilícito de campanha ou ache qualquer uma dessas coisas práticas normais, quem precisa se defender são eles. Você não tem um monte de esqueleto para esconder no armário. Em resumo, não fique na defensiva, parta para o ataque de cara.
Terceiro: Você deve irritá-lo. Se o esquerdista ainda não perdeu a fala, ainda não te olha com ódio, com vontade de partir pra cima de você, alguma coisa você não está fazendo certo. Os esquerdistas não ficam indignados quando se contam mentiras a respeito deles. Nessa linha eles são muito bons. O que os aborrece enormemente é quando a verdade é dita. Você tem um leque enorme de opções: pode citar Stalin, Fidel, Leste Europeu, Camboja, China, Lula, Chavéz, etc. Eles irremediavelmente vão citar o imperialismo americano. Pergunte que países no mundo sofrem com esse imperialismo. Você deve então começar a notar os sinais de irritação.
Quarto: Nunca peça desculpas, jamais faça um elogio, em hipótese alguma seja cortês com um esquerdista e nunca os apóie. Paulo Maluf subiu no palanque de Marta Suplicy, está na cadeia. Roseana Sarney apoiou o PSDB e quando era sua vez de concorrer, levou uma rasteira, assim como Itamar Franco. O PFL insiste em poupar o presidente, apenas para ver o PT atirar mais e mais, sendo acusados de nazistas. Eles desconhecem qualquer noção de cordialidade, democracia, debate de idéias, essas frescuras pequeno-burguesas. Eles não foram educados assim, conhecem apenas a linguagem da porrada. Qualquer coisa diferente disso não é entendida por eles. O politicamente correto é o maior engodo. Pegue pesado, bata sempre e bata forte.
Quinto: Não se deixe corromper pela sedução da esquerda. Essa é especial para a juventude, mas vale para todos. Não tem nada mais na moda do que uma camiseta do Che Guevara, do que se dizer preocupado com justiça social, meio-ambiente, aquecimento global, distribuição de renda, direito das minorias, entre outros chavões esquerdistas. Se você acha exagero, assista a MTV ou a Globo e veja o que é mais in, cool, fashion: mostrar que estudou um pouquinho e que a melhor solução, ou a menos ruim, é mesmo o livre mercado, ou gritar que quem diz isso é um neoliberal insensível que não tem nenhuma preocupação com a justiça social.
Sexto: Seja sempre receptivo aos esquerdistas que começam a perceber o erro que estão cometendo. Muitos que hoje são de Direita já votaram no PT e outros na juventude também acreditaram na balela comunista e seus derivados. Churchill disse que uma pessoa que aos 20 anos não é de esquerda não tem coração. Uma que ainda é aos 30 não tem cérebro. Tenha paciência, especialmente com os jovens que estão procurando as respostas. No entanto, se o esquerdista tem mais de 40 anos, é caso perdido. Recomendo então o uso dos tópicos acima.
Finalmente, esteja pronto para os melhores argumentos dos esquerdistas: xingamentos. Enquanto o esquerdista não te chamar de neoliberal, ele não vai sossegar. No momento que ele te chamar de nazista, você pode dar o debate por encerrado se quiser. Você está desempenhando o terceiro tópico de forma satisfatória. Fascista, conservador, insensível, hipócrita, viúva da ditadura, machista e reacionário também fazem parte do leque do que eles consideram argumentos. Quando qualquer uma dessas coisas for dita com ódio sincero, você venceu o debate, não tem porque continuar. Vá lavar a louça, comprar umas frutas ou passear com o cachorro, mas não perca mais o seu tempo.
Bom divertimento!